Lições da crise
O grande algoz da sociedade brasileira é o Estado. Essa é a mais valiosa lição da crise. Ao assumir o poder em 2003, o PT iniciou o processo de aparelhamento e de superdimensionamento da estrutura estatal. Mas, isso não é exclusivo do referido partido ou desse período da vida nacional, que parece aproximar-se do fim. Pelo contrário, o uso do Estado como instrumento de dominação é a regra na história da humanidade. Pequenos grupos ou indivíduos sempre tentam exercer o poder sobre o resto da população. O único antídoto é a democracia, que, em pleno século XXI, só está firmemente consolidada em poucos países. Ditaduras e pseudodemocracias, infelizmente, abundam.
Como Dilma sempre repete, ela e Lula têm um projeto para o Brasil. Esse plano tem desígnios nebulosos. Mas, pela desgraça que conseguiram causar ao país, dá para vislumbrar o que pretendiam fazer: manter o poder para sempre e conformar a nação brasileira pelos contornos ideológicos confusos de uma esquerda presa a um mundo já extinto.
O tal projeto só pôde avançar, causando tanto mal a tanta gente, por que o Estado brasileiro é gigantesco. Com efeito, o poder de quem o controla também é enorme. Ou seja, o problema maior, não é quem ocupa o poder, mas, sim, o tamanho do Estado. Se o Estado fosse mínimo, pouco importaria quem estivesse no controle da máquina pública. Poderia ser um gênio ou um néscio, mas o impacto na sociedade seria mínimo.
Outra lição desta crise refere-se ao mito do Estado promotor do desenvolvimento. Restringindo nosso olhar apenas para a história do Brasil, fica evidente que o Estado, de fato, pode ser agente do desenvolvimento, mas, por curto espaço de tempo, em momentos muito específicos. A médio e longo prazo, a intervenção estatal sempre acaba em desastre. Getúlio Vargas teve bons êxitos iniciais. Mas a longo prazo, seu intervencionismo engendrou males estruturais crônicos na economia nacional. Os militares conseguiram um PIB chinês por alguns anos. A continuada ingerência estatal levou à crise profunda e à década perdida de 1980. E não é só na área econômica que o Estado é desastroso. O meio ambiente, por exemplo, foi uma de suas grandes vítimas. Na Amazônia, para mencionar um caso, grande parte da devastação resultou diretamente da mão estabanada do Estado desenvolvimentista. Em outros setores, como educação, saúde, ciência e tecnologia também sobejam exemplos da miséria que se pode produzir pela intervenção do Estado.
O Superestado brasileiro também foi onipresente na votação da admissão do impeachment na Câmara dos Deputados. Em cada voto, a favor ou contra, subjazia a superestrutura da máquina pública. Todos, naquele recinto, pensavam nos cargos que terão ou perderão, no naco que poderão abocanhar do Estado.
Com Temer, a situação econômica, talvez, comece a voltar à normalidade. O crescimento consistente do Brasil, contudo, só iniciará quando a sociedade brasileira conseguir eleger representantes que, em sua vasta maioria, estejam comprometidos com uma drástica reforma do Estado, reduzindo-o e eliminando sua permanente ingerência na vida nacional.
O Brasil precisa de líderes políticos que acreditem no seu povo. E o povo precisa de condições para que o indivíduo se fortaleça e ascenda socioeconomicamente pelo mérito. Para que isso se produza é indispensável criar um ambiente de oportunidades iguais para todos. É nessa tarefa queo Estado deveria focar sua ação, depositando maior confiança no poder da iniciativa privada.Sem essa mudança, continuaremos nosso eterno trabalho de Sísifo.
Manaus, 18 de abril de 2016
Belisário Arce
Presidente
Associação PanAmazônia